Seguindo os mesmos passos de Jesus, a Via Dolorosa | Jerusalém

Jerusalém era uma das cidades no mundo que mais curiosidade me despertava. Mesmo para uma ateia como eu (ou talvez precisamente por causa disso) imaginar o lugar que, durante milénios, teve o papel mais importante na construção e nos moldes pelos quais se rege a sociedade ocidental, tal como a conhecemos, é impressionante. É demasiada história universal, ponto de cruzamento fundamental das três principais religiões monoteístas, para nos ser indiferente.

Sejamos mais ou menos crentes, o percurso da Via Sacra é um dos pontos altos da visita à cidade. Por mais ateus que nos possamos considerar, nascer e crescer em Portugal – ou em grande parte dos países ocidentais – é ser culturalmente cristão. A sociedade rege-se pelos conceitos de bem e de mal, celebra o Natal, e a não ser que tenham vivido num bunker é difícil escapar a passagens importantes da vida de Jesus. Deve haver poucos ateus que andaram 12 anos na catequese e fizeram o Crisma #guilty mas mesmo os outros devem conhecer a passagem que conta um pouco do julgamento de Jesus, da sua subida até ao Calvário, e a crucificação. Este percurso, conhecido como Via Dolorosa, foi o primeiro que percorremos na cidade.

Atualmente a cidade velha de Jerusalém está dividida em quatro bairros, árabe, judeu, cristão e arménio. Mas se bem se lembram, à época da vida de Jesus nada destas distinções existiam e a cidade era composta pelos judeus – os desgraçados e oprimidos – e os romanos – vilões conquistadores.

A Via Sacra é composta por quatorze estações que acompanham os diferentes momentos da caminhada de Jesus entre o local onde foi condenado até ao Cálvário, onde foi crucificado. O  percurso atual foi certamente modificado pelo crescimento da cidade ao longo dos séculos, até porque há algumas ruas que cortam passagem entre duas estacões e é necessário fazer algumas voltas atrás, mas a ideia é mais simbólica que outra coisa e lá nos pusemos a caminho da primeira estacão, com o objetivo de terminar apenas na décima quarta, já dentro da Igreja do Santo Sepulcro.

I – Fica atualmente na zona árabe da cidade velha e não é muito fácil de achar, não tem sinalização óbvia. Era aqui o forte romano onde Jesus foi julgado e condenado à morte e hoje em dia é uma Madrassa. Depois de sondar os transeuntes conseguimos perceber onde era a entrada e por 10 NIS negociamos a entrada, a reter a vista à distância sob a Cúpula da Rocha.

II – Fica quase em frente à primeira estação e fica bem na frente do Mosteiro Franciscano da Flagelação. Foi erigida uma capela onde Jesus, carregado com a cruz e flagelado, foi coroado com espinhos.

III e IV – Bem ao lado uma da outra representam o local onde Jesus caiu pela primeira vez e onde encontrou a sua mãe Maria. Duas esculturas, talhadas na parte superior dos arcos de acesso representam estas cenas.

V – Um soldado romano manda Simão ajudar Jesus a carregar a cruz. Marca o ponto da via Sacra em que começa a subida para o Calvário.

VI – Foi erigida no local uma capela em honra de Santa Verónica, que neste local limpa a face de Jesus coberta de suor e sangue e fica com a sua face gravada no lenço.

VII – Jesus cai pela segunda vez

VIII – Famosa passagem do Evangelho de São Lucas, Jesus consola as mulheres de Jerusalém.

IX – Jesus cai pela terceira vez. (Dentro da zona de um mosteiro copta, esta estação requer uma saída do percurso até ao Santo Sepulcro, há uns degraus de acesso que vos vão aparecer à direita, mas a sinalização é fraca, perguntem)

X, XI, XII e XIII – Estas quatro estações estão todos representadas num único local, Gólgota ou Calvário, já dentro da igreja do Santo Sepulcro. Representam simbolicamente os momentos em que Jesus: é despido das suas roupas; é pregado na cruz; morre; é descido da cruz.

XIV – A última estacão, também dentro da Igreja do Santo Sepulcro é o próprio sepulcro. Há fila para lá entrar já que não estão mais de 4 pessoas em simultâneo, nós esperamos 45 minutos e não tenho nem uma fotografia para vos mostrar porque era proibido tirar e a vigilância era apertada. Enquanto esperava, acendi uma velinha, se gostam destas coisas podem sentir-se abençoados, foi para vós.

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