Ramallah | Cisjordânia

Os acontecimentos recentes fizeram-me voltar aos posts sobre o Médio Oriente, e depois da passagem pelo Muro das Lamentações no início da semana, tínhamos que vir até ao outro lado da barricada – infelizmente num sentido quase literal – e chegar à Cisjordânia. Este era uma dos passeios mais aguardados da viagem, talvez não seja aquilo que muitos chamam de bonito, mas foi sem dúvida o mais marcante de toda a estadia na Terra Santa. Hoje mostro-vos Ramallah, a sede da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia.
Há algum tempo que não sentia um friozinho no estômago tão bom como na manhã em que visitei Ramallah, no final de 2017.  É meio surreal a sensação de que conseguimos mesmo chegar ali, e foi tudo demasiado fácil, demasiado “normal”.
Ramallah entra-nos casa a dentro há imensos anos e sempre associado a guerras, conflitos, um sem fim de problemas e confusões. Tentam vender-nos a imagem de covil de terroristas ou heróica resistência, mas a verdade é que fica difícil imaginar muito mais do que pó, destruição e pedras no meio do deserto.
Ramallah não é nada disso, é uma cidade organizada, com vida dentro dela, pessoas simpáticas e felizes por nos ver, e é no final do passeio a sensação de missão cumprida. Como o meu pai me disse enquanto caminhávamos tranquilamente em direção à Praça Yasser Arafat “Parece impossível, mas estamos mesmo aqui!”

O que visitar em Ramallah?

Apesar de tudo não dá para negar que esta não é propriamente uma cidade turística, não tenho um percurso roteiro sugerido cheio de museus, parques, mesquitas ou outros edifícios maravilhosos para verem, mas tenho as duas sugestões que podem fazer o vosso dia e perceber um pouco melhor a cidade e a vida na Cisjordânia.

  • Túmulo-Museu de Yasser Arafat

Recém construído em Ramallah, o complexo que alberga o túmulo do famoso líder palestiniano Yasser Arafat e um Museu sobre a sua vida e a história dos território ocupados da Palestina é um local que não devem perder. O ambiente é calmo e agradável, o edifício de pedra branca rodeado de jardins e água transmite paz e não guerra. Guardado por dois soldados palestinianos está o túmulo logo à entrada. Mais atrás têm um típico museu ocidental, com direito a cafetaria e loja de souvenirs, onde comprei o meu lenço igualzinho ao que o Arafat usava em todas as suas aparições.
Mais detalhes sobre o museu aqui.

  • Triângulo, Mercado – Praça Arafat – Praça Manarah

São os três pontos principais no centro da cidade que encontramos ainda um pouco vazios no início do passeio mas onde foram chegando pessoas com o passar do tempo e principalmente com a aproximação ao mercado. Visitamos Ramallah numa sexta feira, dia de descanso para os muçulmanos e provavelmente também por isso não encontram as ruas tão lotadas. Mas foi ótimo percorrer as ruas da cidade, deambular pelo mercado, com duas ou três palavras de árabe e muitos sorrisos meter conversa com a população – visivelmente agradada com a presença de um grupo de turistas – e comer o melhor falafel de Ramallah, segundo o nosso motorista.

Praça Yasser Arafat
Praça Manarah
Mercado no centro de Ramallah

Como chegar a Ramallah?

Ramallah fica bem perto de Jerusalém, cerca de 30 minutos de estrada, e com um passaporte estrangeiro e uma matrícula israelita não terão grande dificuldade em atravessar os postos de controlo. O mesmo não se pode dizer de matrículas palestinianas. Nós contratamos um tour, mas é possível apanhar um sherut – transporte coletivo de passageiros – a partir de Jerusalém. Mais detalhes sobre este tópico no post detalhado sobre as fronteiras israelitas (em breve!)

Espero ter a oportunidade de voltar um dia, se possível em tempos não tão conturbados na região. Adorei a experiência e a oportunidade de estar aqui, deixo-vos com algumas das minhas fotografias favoritas. Espero que gostem, mandem bitaites na caixa de comentários 🙂

1 Comment

  1. José Alfredo

    May 19, 2018 at 11:45 pm

    Como descreveste bem também os meu sentir ao passar por este mundo quase surreal, mas tão mais simpático que do outro lado. É pena sentir-se nos olhares a dor de quem vive na sua terra que lhe é alheia.

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