Day tour a partir de Jerusalém | Massada, Ein Gedi e Mar Morto

Pensavam que eu me tinha esquecido da última viagem de 2017, nada disso. É verdade que tenho imensos posts perdidos no túnel do tempo, mas eles eventualmente vão sair e portanto aqui está mais um. A partir de Jerusalém é possível visitar diferentes zonas de Israel e da palestina, já que a área territorial não é grande e é fácil chegar a qualquer lado na região. Como os dias estavam limitados tivemos que tomar opções e para além do dia de visita à palestina, em que estivemos em Ramallah e Belém, fomos um dia em direção a sul, ao deserto da Judeia, onde visitamos um dos locais apontados para o batismo de Jesus, fomos às ruínas da fortaleza de Masada, ao oásis de Ein Gedi, e ainda acabamos o dia a bóiar nas águas do Mar Morto. Mais um objetivo de vida cumprido.

Quando começarem a pesquisar um bocadinho sobre o que fazer a partir de Jerusalém este vai ser um dos tours mais populares de todos, e não será por acaso. Não fiquei encantada com o oásis de Ein Gedi e o local de batismo de Jesus onde paramos é mais simbólico que qualquer outra coisa, mas a subida até Masada, no meio do deserto é impressionante e valeu muito mais a pena do que alguma vez pensei. Já a experiência de flutuar no Mar morto valeu tããããão a pena como imaginei que valeria.

  • Qsar el Yahud, zona batismal no Rio jordão

A primeira paragem do tour foi em Qsar el Yahud, conhecido como sendo um dos possíveis locais de batismo de Jesus – apesar de se achar que o local mais provavel é mais a norte no rio jordão, e os Jordanos afirmarem a pés juntos que foi do “seu lado” tudo isso são mais ou menos detalhes e a simbologia do local é que conta. Há quem viaje de propósito até lá para ser re-batizado em grupos que incluem sacerdotes. Não foi o nosso caso, mas como água nunca fez mal a ninguém e em Roma sê Romano a minha mãe tratou de me re-batizar e eu atirei com um bocadinho de água cabeça abaixo. É possível alugar vestes brancas no local para poderem mergulhar de corpo inteiro no rio, e presumo que ficar purificado até à alma, mas nós não chegamos a tanto. Ficamos a assistir ao ritual apenas de longe.

  • Fortaleza de Massada

Depois da paragem em Qsar el Yahud seguimos para sul em direção à Fortaleza de Masada. Situada no topo de uma montanha íngreme e com um planalto na zona mais elevada, o acesso a Masada não é muito fácil. Há um centro de interpretação e apoio na base da montanha, onde ficam as bilheteiras e por onde se dá obrigatoriamente a entrada, e a partir daí é possível aceder ao topo de duas formas distintas, a pé pelo trilho que serpenteia até ao cimo ou de teleférico. Claro que eu só testei a segunda opção.

A ocupação de Massada remonta já à época primitiva, mas é no ano 70 depois de cristo que ocorre aqui o episódio que a fez tornar-se mais famosa. Depois da destruição do Segundo Templo de Salomão, em Jerusalém, um grupo de rebeldes judeus fugiu para esta cidade onde foi cercado pelo exército romano durante alguns meses. As dificuldades de acesso impediram a tomada imediata da cidade e os romanos tiveram de construir uma rampa de acesso até ao planalto superior para conseguir invadir a cidade. Conta a história que quando se aperceberam que estavam prestes a ser invadidos os rebeldes reuniram e decidiram que iriam morrer para evitarem transformar-se em prisioneiros ou escravos. Reza a lenda que destruiram e pegaram fogo a toda a cidade excepto aos armazéns de víveres para que ficasse claro aos invasores que o haviam feito conscientemente e não em desespero.

  • Óasis de Ein Gedi

Ein Gedi é um pequeno oásis de cascatas, grutas e nascentes, entre o Deserto da Judeia e o Mar Morto. Caminhamos durante cerca de uma hora ao longo do curso de água que o atravessa para ver um outro lado da beleza natural da região. É possível passar bem mais tempo por lá, tomar banho nas águas frescas das lagoas formadas pelas cascatas e percorrer alguns dos trilhos até zonas mais elevadas, com vista para a incrível paisagem que ao longe o Mar Morto proporciona. Claro que a zona era bonita, mas não sei se porque a palavra oásis criou demasiadas expectativas inconscientes, não achei propriamente imperdível. Vão até lá e avaliem por vocês.

  • Mar Morto

Ah! Isto sim, foi o ponto alto do dia, o momento mais aguardado. Objectivo de vida cumprido: flutuar nas águas do Mar Morto.
A experiência é indescritível!

O Mar Morto é um Lago de água salgada – alimentado pelo Rio Jordão – na fronteira entre Israel, a Palestina e a Jordânia. Possui uma concentração salina 10 vezes superior à dos Oceanos e como consequencia disso não possui vida. As elevadas captações de água no rio Jordão, devido à seca extrema na região, estão a ter como consequência a redução da área do Mar Morto (entre 1930 e 2014 baixou de cerca de 1050 quilómetros quadrados para 650).

Apesar de tudo continua a ser uma das principais atrações turísticas da região. Ao longo da sua costa existem uma série de praias privadas com serviços de apoio como balneário, cafetaria, restaurante, guarda-sóis e espreguiçadeiras disponíveis. É necessário pagar para aceder, mas podem passar todo o dia por lá a disfrutar do sol, do ambiente e das brincadeiras na água. No entanto há uma série de cuidados a reter antes de entrar na água, não são só os peixes que morrem ao chegar lá.

Cuidados no acesso ao Mar Morto:
– Entrarar suavemente na água
– Não mergulhar a cabeça em hipótese alguma
– Evitar o contacto com feridas ou cortes abertos, evitar barbear e depilar a pele no dia anterior
– Não entrar na água com correntes, brincos ou outros adereços metálicos
– Não passar muito tempo seguido dentro de água, passar sempre no chuveiro de água doce após cada entrada
– Em caso de salpicar água para a vista lavar abundantemente com água doce, se presistir o ardor ou engolirem água, consultar imediatamente o posto de socorro
– Lavem bem o biquíni/calções/fato de banho após o banho, sob pena de ir dali para o lixo

Aproveitem para curtir a sensação de flutuar (MESMO) e leiam um livro dentro de água, é a fotografia clássica. Já agora hidratem a pele com a lama do fundo do Mar, que aquilo resulta mesmo. Fiquei com um sensação de rabinho de bebé durante 2 dias.

Outros passeios nos arredores de Jerusalém:

(+) Ramallah, a sede da Autoridade Palestiniana

(+) O Muro entre Israel e a Palestina

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