O mundo em Stand-by | Da emergência para a calamidade

Um mês e meio depois, sem a questão de saúde pública resolvida, mas com a esperança de um lento regresso à existência fora do eixo casa-trabalho, fica um balanço prático e pseudo-emocional do primeiro estado de emergência da minha vida.

Para memória futura…

Fui abordada pela GNR uma única vez ao logo destas semanas, enquanto caminhava junto à praia. “Estamos em estado de emergência com dever geral de recolhimento, volte para casa o mais breve possível.”

Isto e um papel – do qual não cheguei a precisar – passado pela empresa onde trabalho, como “salvo-conduto” para me deslocar inter-concelhos durante os dias de Páscoa. Pensei em rasgá-lo no fim, para sentir a minha liberdade de volta. Resisti e resolvi guardá-lo, para manter a lembrança viva e recordar-me que não devemos dar nada por garantido.

Passou-se uma Páscoa e o meu feriado favorito (25.04) em confinamento. A Primavera que chegou e as horas de esplanada que já lhe estou a dever. Houve aniversários comemorados sem abraços, mas felizmente um quintal de casa para escapar a quatro paredes permanentes. Cancelei todas as viagens em planos para 2020, a expectativa é que em breve nos deixem – pelo menos – redescobrir Portugal. Termina agora o Estado de Emergência vigente e começa o Estado de Calamidade, seja lá isso o que for. Vamo-nos mantendo por aqui.

Efeitos colaterais positivos:

Na Televisão/Netflix…
– Comecei a ver The Resident T1, entretanto vou a meio da T2
– Vi de uma assentada a Elite T3
Sergio, novo na Netflix e perfeito para um dos muitos dias de sofá
– Voltei às novelas (!) estou a rever uma das minhas novelas favoritas de sempre da Globo, “Força de um Desejo”. Há 5 anos que não via uma novela. E estou de novo com vontade de me aventurar no interior do Rio de Janeiro… Ouro Preto, Vassouras, Mariana <3
– Comecei a ver a série nova da RTP, a Espia.
– Tenho-me entretido com muito lixo da SicMulher, The Dream Home e Love it or List it. A prova de que chegamos ao fim do mundo.

Na cozinha…
– Ao fim de várias tentativas frustradas e de DU-AS idas à Worten, consegui a minha nova liquidificadora – tirei a barriga de misérias de sumos de fruta naturais.
– Auto intitulei-me Masterchef das vieiras com espargos (receita aqui, ficou ótimo).
– Ao fim de quatro anos nesta casa, comprei um abre-latas.
– Duas garrafas de vinho e uma caixa de cerveja em dois meses, tenho conseguido resistir sóbria a esta confusão.
– Nunca me tinha cruzado com ovos da Páscoa da Kinder tão baratos, comi um sozinha – e três dos pequenos.

Arrumações…
– Estou uma verdadeira fada do lar, nunca limpei tanto a minha casa como nos últimos dois meses.
– FEFO implementado (com sucesso) na despensa, há um mês e ainda não saiu tudo do sítio. Manter o foco!
– A minha meta: 5S no closet, não foi atingida em pleno só porque me falta uma etiquetadora… e porque tenho dificuldade logo no primeiro S da seleção. Mas estou uma verdadeira Marie Kondo das gavetas.

Pontos fracos, mea culpa, objetivos para a calamidade que agora começa:
– Não li nem duas linhas de um livro que fosse. Ando completamente sem vontade, ou me atiro a arrumações para gastar energia ou só consigo vegetar no sofá a olhar para a televisão. Espero forçar a leitura no mês de Maio.
– Quatro posts no blogue em mês e meio é muito fraquinho. A preguiça mata-me.
– Emagreci 2 Kg, tenho mesmo de me começar a mexer e depressa.

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4 Comments

  1. Raquel Morgado

    May 9, 2020 at 1:59 pm

    Eu fui parada pela polícia várias vezes, mas trabalhar no SNS deu-me sempre livre trânsito. Usei todas as borlas a que tive direito. Acabámos de ver todas as séries que tínhamos pendentes, ainda não cheguei as novelas nem ao BB. Fui ao mercado de picoas e prometi que iria mais ao produtores locais, só fui uma vez. Começámos a pedir comida pelo menos uma vez por semana para ajudar os restaurantes que não queremos que fechem. Passámos a ser mais rigorosos nos treinos físicos. E já marcharam algumas garrafas de vinho. Páginas de livros lidas: 64… trabalho: normal. Não está mal, podia estar melhor.

    1. Inês

      May 9, 2020 at 4:18 pm

      Espero que nos possamos encontrar (por Portugal e a 2 metros de distância) em breve. Beijinhos para os dois!

  2. Ruthia Portelinha

    May 14, 2020 at 2:59 pm

    Eu não fui parada pela polícia, porque não saí de casa sem ser para ir ao supermercado a 2 quarteirões. E apesar de estar a sobreviver ao drama sem uma pinga de álcool, vingo-me nos doces. Passei por uma fase Mari Kondo nas duas primeiras semanas, depois passou-me a vontade das arrumações. Tenho escrito pouco no blog mas já li 5 livros. Menos mal. Vai passar!

    1. Inês

      May 15, 2020 at 10:16 am

      Cinco livros? Uau. Foi a minha maior falha, falta de motivação para a leitura. Espero que nos cruzemos em breve, por Portugal 🙂 Beijinhos

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