Depois de deixar Macau, dei início à minha incursão na China continental, desta vez com a companhia da Ruthia do @bercodomundo. Decidimos que a nossa semana iria começar na província de Sichuan, mais precisamente na sua capital, Chengdu, a terra dos Pandas. Estivemos três noites na cidade e fica aqui a minha lista do que não devem perder nos dias que passarem por lá.
1. Visitar o Centro de Conservação dos Pandas
Chengdu é sinónimo de pandas. E não é exagero. Há pandas por todo o lado na cidade, pandas gigantes no meio da rua, decorações de panda em lojas e hotéis, souvenirs de todo o tipo e feitio em forma de panda, é surreal. Mas para além de todo o aparato, o Centro de Pesquisa e Conservação do Panda Gigante é um dos melhores lugares do mundo para ver estes animais icónicos em ambiente semi-natural, e fica a poucos quilómetros do centro da cidade de Chengdu. O principal conselho para esta visita é: chega cedo — os pandas são mais ativos de manhã. E sim, são tão fofos como parecem. O Parque é bem grande e há várias zonas onde podem observar estes gigantes felpudos em habitat semi-natural, infelizmente também há demasiadas pessoas a tentar fazer o mesmo (é a China, e há muita gente em todo o lado!). Durante a visita podem também visitar o berçário de pandas, com pandinhas ainda mais fofos mas não tão grandes e conhecer os pandas vermelhos, que parecem raposas com cauda de guaxinim. O centro é bem organizado e merece a visita.




2. Provar o famoso Hot Pot picante
Sichuan é famosa pela sua cozinha ardente — literalmente. A pimenta de Sichuan é famosa por toda a China pela sensação de dormência única que pode provocar na boca. E é utilizada para preparar um dos pratos mais famosos da região: o Hot Pot – uma experiência gastronómica e social. Não é mais do que uma panela de caldo a ferver no centro da mesa, onde mergulhamos carnes, legumes, peixe, cogumelos tofu e tudo o mais que nos apetecer.
O maior desafio? Sem dúvida, o picante. A água do caldo é preparada com malagueta e grãos de pimenta de Sichuan. O segredo é ir provando em doses “homeopáticas” e intercalar com uma das versões de caldo menos intensas em que apenas legumes dão sabor à água quente. A outra solução é ir bebendo chá (ou uma cerveja fresca) para acompanhar.

3. Assistir a um espetáculo da Ópera de Sichuan
Este espetáculo não é uma ópera clássica como as europeias, é uma performance completamente diferente mas tradicional nesta região. A Ópera de Sichuan mistura música, acrobacias, marionetas, comédia e o famoso “face changing” — uma técnica em que os atores mudam de máscara em segundos, sem que se perceba como. É colorida, vibrante e cheia de ritmo. Mesmo sem entender mandarim, vale pela estética e pela energia. Nós fartamo-nos de pesquisar online e pedir aconselhamento no hotel, mas a comunicação na China não é facil em lado nenhum, e acabamos a comprar bilhetes para um espetáculo mais vocacionado para turistas, que não era exatamente o que tínhamos em mente. Apesar disso foi uma experiência engraçada, e podemos ver ao vivo os trajes tradicionais e uma performance da famosa troca de máscaras.


4. Visitar o Parque Jinli
Um dos lugares mais simpáticos de Chengdu. O Jinli Ancient Street é uma reconstrução de uma rua tradicional da dinastia Qing, com lanternas vermelhas, lojas de artesanato, snacks locais e um ambiente muito fofo. Ideal para passear durante o dia, provar um doce estranho, entrar e sair das imensas lojinhas tradicionais e comprar uns souvenirs para levar no regresso a casa, tirar imensas fotografias nos recantos tradicionais decorados com lanternas coloridas, e almoçar numa das esplanadas que vão encontrar por lá. É uma zona muito verde – está dentro de um parque – e tem também algumas construções/templos que podem visitar. É turístico, sim, mas também muito bonito.





5. Explorar Kuangzhai Alley depois do pôr-do-sol
Esta zona histórica ganha vida à noite. Luzes suaves, bares com música ao vivo, lojas de design e restaurantes modernos misturam-se com arquitetura tradicional. Um conjunto de ruelas estreitas e movimentadas, o lado mais cosmopolita de Chengdu, onde tradição e modernidade se encontram. E onde se pode beber um cocktail com vista para um pátio centenário. Foi aqui que viemos jantar todas as noites e há opções para todos os gostos e carteiras. Desde banquinhas de rua onde comemos alguns snacks tradicionais, até restaurantes bem mais fancy com segurança à porta. Foi também aqui que acabamos por escolher o restaurante onde provamos o famoso Hot Pot. Caso não tenham oportunidade de visitar o Parque Jinli também têm aqui algumas oportunidades de comprar uns souvenirs.



6. Triângulo Praça Tianfu – Parque do Povo – Rio Nanhe
Esta zona central é perfeita para caminhar e observar o dia-a-dia dos locais. A Praça Tianfu – o centro de Chengdu – tem uma estátua gigante de Mao e uma arquitetura claramente comunista vincada, o Parque do Povo é cheio de vida (danças tradicionais, jogos de tabuleiro, chá e conversas partilhadas), e o Rio Nanhe oferece um passeio tranquilo com pontes iluminadas.
É aqui que se sente o pulso e a verdadeira vida da cidade — entre o passado comunista e o presente vibrante. Sem grande atrativos turísticos, mas com a sensação real de que estamos no cidade moderna chinesa. Vale a pena caminhar sem destino por aqui e ficar só a ver a vida passar.




7. Passeio Bate e Volta ao Buda Gigante de Leshan
A cerca de uma hora de comboio de Chengdu, fica a cidade de Leshan, onde podem visitar o famoso Buda de Leshan – o maior Buda esculpido em pedra do mundo, com 71 metros de altura, património mundial da UNESCO desde 1996. Esculpido numa encosta à beira do rio, é impressionante pela escala e pela serenidade. Está integrado no Parque do Grande Buda de Leshan para o qual podem comprar bilhetes de acesso e que está bem preparado para receber turistas. Há mini bus para fazer os percursos mais longos, templos para visitar no seu interior e diferentes opções de bilhetes para conhecer o próprio Buda. Dá para subir e descer pelas escadas esculpidas na rocha, ou ver de barco. Nós escolhemos a primeira opção e foi impressionante estar aos pés daquele gigante. É um passeio que vale o dia (vão preparados para algumas filas) e que nos deixa pequenos perante a grandiosidade da fé e pela serenidade do local nas margens dos Rios Min, Dadu e Yalong. A Ruthia escreveu um artigo detalhado com a história e a mística por detrás do Grande Buda de Leshan, bem como todas as dicas para chegaram até lá a partir de Chengdu, deixo-vos aqui o link.
(+) Grande Buda de Leshan, o pacificador das águas | Berço do Mundo


Outras regiões a visitar na China
(+) Património Português em Macau
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Foi uma aventura bonita, ainda que curta. Um dia volto para ver novamente pandas com o meu filho. Com um pouco de sorte, apanhamos algumas crias desta vez.