Escapadinhas no Norte de Marrocos

Para além do deserto, da agitação de Marraquexe e das praias na costa atlântica, o país tem muito mais para oferecer, e uma escapadinha em Marrocos que inclua apenas algumas cidades do norte, pode ser uma ótima opção, já que até há voos diretos tanto de Lisboa como do Porto. Deixo aqui a minha sugestão, de Escapadinhas no norte de Marrocos, combinar Fez com Chefchaouen para um fim-de-semana prolongado, e esticar a Meknes (e Volubilis) se tiverem mais um dia.

1. Fez

A cidade e a sua medina já foram um pesadelo para qualquer turista. Absolutamente labirintica, ninguém visitou a cidade numa época em que o google maps não existia sem ter contratado um guia… ou se ter perdido. Hoje em dia, a tecnologia resolve quase tudo e nós aventuramo-nos só com o gps no telemóvel, e saímos de lá (quase) facilmente. Isto para dizer que “perderem-se” pelas infindáveis ruas da Medina de Fez é obrigatório numa visita à cidade. O comércio abunda por todo o lado, em algumas das ruas quando passa um burro não cabe mais ninguém, os cheiros são intensos e as surpresas ao virar de cada esquina. Mas a experiência é imperdível.
Falando de cheiros intensos, visitar as tinturarias que ficam no seu interior, é o programa mais procurado pelos turístas. há imensas lojas nos edifícios adjancentes com varandas no último piso que permitem as melhores vistas. Vão deixar-vos subir com a perspectiva de que lhes comprem algo no final. A pressão para vos impingirem alguma coisa é forte, mas também faz parte da cultura e da experiência local.
Descobrimos Pequenos Palacetes com pátios interiores ornamentados e Mesquitas lindíssimas enquanto deambulavamos pela medina, o que fizemos durante horas. Normalmente a entrada não é permitida (mesmo nas mesquitas, a não muçulmanos), mas as portas por si só já valem a pena e podem perceber um pouco como será o seu interior em algumas espreitadelas furtivas.

2. Chefchaouen

Começo por dizer que a cidade azul vale mesmo a pena, porque é giríssima. Apesar de tudo o que vou contar de seguida, e que a faz perder algum encanto, voltava lá se a viagem fosse organizada de novo. Mas, é impossível não sentir pena daquilo que se tornou, uma pequena disney marroquina, cheia de filas de turistas, maioritariamente asiáticos, à espera para tirar fotografias nos recantos mais instagramáveis da cidade.
Uma cidadezinha tão pequena não tem estrutura para a fama que conquistou. E apesar de ser adorável, e de se perceber que ainda mantém alguma da sua originalidade e locais mais genuínos, se se afastarem um pouco do centro, as suas atrações principais foram tomadas pelo turismo. Com isto quero dizer, que vão com isto em mente, para não terem um choque, como eu tive. Mas ainda assim vão. Porque os recantos salpicados de azul e branco são mesmo giros e valem a pena.
Quem chega de carro à cidade, como nós chegamos, vê logo aquela mancha azul e branca ao longe, no meio da encosta verde, e já aqui podem parar em diferentes zonas para tirar umas fotografias e absorver a paisagem. Uma vez lá chegados, têm que estacionar fora do centro que é composto por uma série de pracinhas e vielas estreitas, todas nos mesmos tons e repletas de pequenas lojas e restaurantes, bem como imensos riads e alojamentos locais. Cada recanto é um verdadeiro cartão-postal. Afastem-se o mais que puderem do centro, subam as ladeiras na encosta, vão começar a ver os turistas desaparecer e zonas mais habitacionais onde ainda há velhinhos a circular e crianças a brincar na rua.

3. Meknes

Em contraste com o ponto anterior, adorei Meknes, não porque a cidade tenha imensos atrativos turísticos, mas porque está longe dos destinos mais escolhidos pelos turistas em excursão pelo país. A medina e toda a cidade tem um ar muito mais pobre, mais sujo, mas onde se pode perceber melhor o dia a dia de uma cidade local.
Se Chefchaouen é azul e Teteouan é a cidade branca, Meknes deixa-nos na memória as cores terrosas e o amarelo. Achei que valeu a pena a paragem rápida que fizemos por lá a caminho de Volubilis que fica bem perto.

4. Volubilis

Esta é uma cidade romana, cujas ruínas fazem parque de um sítio arqueológico classificado património, e não muito longe de Méknes, no norte de marrocos. É fácil combinar as duas visitas a partir de Fez. . O local foi classificado como Património Mundial da UNESCO em 1997.

Para quem já visitou alguns dos vestígio romanos no norte de África ou no Médio Oriente, Túnisia, Turquia, Líbano… não diria que vãao ficar impressionadíssimos, mas é uma visita interessante e que permite percber melhor um pouco da história do país.

Deixo-vos com um pequeno excerto retirado da wikipédia.

“A antiga cidade situa-se numa fértil planície agrícola e desenvolveu-se a partir do século III a.C. como um assentamento feníciocartaginês, tendo crescido rapidamente sob o domínio romano a partir do século I a.C. até ocupar uma área de aproximadamente 40 hectares, rodeada por muralhas com 2,6 km de perímetro. No século II a cidade foi dotada de uma série de edifícios públicos, nomeadamente uma basílica, um templo e um arco do triunfo. A sua prosperidade, que advinha principalmente das culturas da oliveiracereais e do fornecimento de animais selvagens para os espetáculos de gladiadores, propiciou a construção de muitas casas urbanas ricas, com grandes mosaicos de chão.”

Dicas práticas

Há voos diretos tanto de Lisboa como o Porto para Fès, que será a vossa porta de entrada no Norte de Marrocos. Caso queiram apenas ficar pela cidade não precisam de carro, arranjem um transfer até à cidade e lá podem facilmente fazer tudo a pé (na Medina não há mesmo outra alternativa) ou chamar um táxi para alguma distância um pouco maior. Caso pensem em visitar outras cidades na região um carro pode ser um boa opções, evitam os clássicos tours.

Um fim-de-semana (2 dias) é suficiente para conhecer Fès, sugiro que incluam Chefchauoen se tiveres três dias disponíveis e o pack Méknes/Volubilis se tiverem quatro. Com este espaço temporal não justifica ficar a dormir em nenhuma das outras cidades, claro que se tiverem imenso tempo disponível, deverá ser interessante perceber como fic a cidade azul depois de partirem a maioria dos turistas que fazem a visita em apenas algumas horas.

Em Fès sugiro que escolham um Riad com pequeno-almoço no interior da Medina, é a forma mais tradicional de alojamento, proporciona uma experiência diferente e há riads para todos os gostos e carteiras. Apesar disso, e porque não é assim tão fácil a locomoção dentro da Medina, escolham ficar perto de uma das entradas, tanto para estacionarem cá fora, como porque depois vão ter de fazer o percurso no interior com as malas às costas em ruelas estreitas.

E a comida, não deixem de provar as tajines marroquinas, as espetadas que há em todo o lado na rua, os sumos naturais e o ché que vos vão oferecer em qualquer lado. As azeitonas e o tomate. O pão. Não vão à espera de encontrar álcool com facilidade, mas de comer muito bem, isso sim.

Se ainda tiverem mais um dia disponível para a vossa escapadinha no Norte de Marrocos, pensem em Tetouan, a cidade branca.

(+) Tétouan, a cidade branca

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